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sábado, 3 de janeiro de 2026

DESPERTAMENTO (um conto em versos)

Por acaso, olhei para o céu.
E, admirada, vi estrelas.
E de repente me dei conta:

Há quanto tempo
eu não via estrelas!
Aliás, há quanto tempo
eu não olhava pro céu?

Minha filha de oito anos
me chamou a atenção:

— Mãe, eu te disse
“Como o céu está lindo,
cheio de estrelas!”...
Mas você não ouviu...

E de repente me dei conta
que o meu filho de sete anos,
moleque de cidade,
saudavelmente arteiro,

— escalador de muros, lajes, grades
e tudo o que mais perigoso encontrar
na sua infância urbana —
NUNCA havia subido em uma árvore...

E ao ouvir uma vozinha perguntando
— Mãe, o que é isso? —
de repente, chocada, me dei conta
que, nos seus quatro aninhos de vida,
a minha caçula NUNCA
tinha visto uma vaca!

E de repente me dei conta
de como a gente,
nessa vida, se acostuma...
 
a andar sempre
olhando para o chão,
com medo de tropeçar,
e para a frente,
com medo de perder o rumo...

E isso me lembra
O Pequeno Príncipe...
 
Quem olha somente prá frente
não pode mesmo chegar
a nenhum lugar...

Alcíone Pimentel 

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