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terça-feira, 4 de novembro de 2025

QUARENTENA


Nesse mundo novo, 
transformado e transtornado 
de repente e sem aviso (?), 
quando o mundo em que eu nasci 
deixou de existir...

Nesse mundo estranho 
e sem abraços, 
em que a única certeza 
é a incerteza...

Nesse mundo de pesadelo, 
de insegurança e de medo, 
de angústia e desorientação, 
de apego e desapego 
e de imposta auto reflexão...

Nesse mundo de cabeça pra baixo 
e virado ao avesso, 
onde faltam abraços 
e sobram saudades...

Nesse mundo insano e sem festas,
onde nos sentimos perdidos,
onde estamos juntos separados 
e separados juntos...

Nesse mundo confuso e complicado,
onde avós fogem de netos 
e netos fogem de avós, 
por amor...

Nesse mundo de extremos, 
onde a idade nos separa, 
onde se esquiva do abraço 
de uma criança...

Nesse mundo de tristeza e preocupação, 
de encontros, desencontros e separações,
onde afastamento é prova de amor...

Nesse mundo desconhecido, 
de descobertas e redescobertas,
de abraços ausentes 
e excesso de ansiedade...

Nesse mundo apocalíptico, 
que cobra distanciamento 
e exige introspecção...

Nesse mundo em crise, 
de fim e recomeço, 
de rever conceitos, 
redefinir prioridades 
e atualizar definições...

Nesse mundo insano e surreal, 
de esperança e espera 
de um novo normal (seja lá o que isso for)...

Nesse mundo de abraços proibidos 
e solidão compulsória, 
onde o isolamento é obrigatório 
e a união também...

Nesse mundo onde somos
impedidos de nos tocar 
e forçados a nos enxergar, 
a enxergar o outro, 
a existência do outro, 
a vulnerabilidade do outro, 
a dor do outro...

Porque a dor do outro, 
num efeito dominó ou borboleta, 
de um jeito ou de outro 
um dia há de me encontrar... 

Que o legado involuntário 
para a Nova Era seja esse: 
a impossibilidade 
de ignorar o outro.

Alcíone Pimentel


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