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segunda-feira, 29 de setembro de 2025
HISTÓRIA DE CLARA
Pequena e frágil, ela nasceu da neve, mas tinha uma chama interna que a derreteu. Cresceu, virou mulher.
Sua pele, de tão branca, ficou transparente: podia-se ver seu coração pulsando, o sangue correndo nas veias.
Seus olhos tinham uma cor diferente, indefinível, quase transparente, que mudava de tom conforme o sentimento. Possuíam um brilho especial, singular, onde se podia ler seus pensamentos.
Mas continuava crescendo, a pele branca esticando, ia ficando cada vez mais transparente... Sentia-se envergonhada, o coração exposto, o vermelho intenso do sangue pulsando... Sentia-se nua, à mercê do mundo.
Menina-mulher, ainda crescia e cada vez menos aparecia. Até que nada mais dela se via (nem sangue, nem coração), a não ser sua alma, sua aura, uma flama, uma luz sutil, peculiar, que mudava de cor conforme o momento, o pensamento, o sentimento.
Um dia, mulher-menina, olhando-se no espelho, de repente já não se via mais. Nele se refletia a imagem do outro, por trás de si, através dela...
...
Mas o mundo descobriu. E a apontou. E a acusou. De feitiçaria.
E como bruxa o mundo a julgou, condenou, castigou, executou...
Como bruxa foi queimada, condenada, não a morrer, mas a arder eternamente na fogueira.
Acreditavam que o fogo a purificaria, mas não enxergaram, em meio às labaredas, a verdadeira chama da vida.
Ninguém percebeu que não passava de um anjo.
Alcíone Pimentel
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